O princípio: nada desaparece

A maioria dos rankings de carteira recomendada mede apenas a composição vigente. O problema é estrutural: quando uma casa inclui um ativo, ele cai, e ela o remove, esse prejuízo some do ranking que olha só a foto atual. É o viés de sobrevivência — e ele faz toda casa parecer melhor do que foi.

O CallMap parte da premissa oposta. Todo ativo que em algum momento esteve na carteira entra na conta, pelo intervalo exato em que esteve lá, com o ganho ou a perda que entregou nesse período. A casa não consegue apagar o call que deu errado.

Como o retorno de cada casa é apurado

Para cada ativo, registramos a data em que entrou na carteira e a data em que saiu (ou o dia de hoje, se ainda permanece). O retorno daquele call é a variação do ativo nesse intervalo. O desempenho da casa é a média dos retornos de todos os seus calls.

retorno do call = variação do ativo, da data de entrada à data de saída
retorno da casa = média( retorno de todos os calls )
desempenho relativo = retorno da casa − benchmark no mesmo intervalo

Quando a casa divulga o peso de cada ativo, a média é ponderada por esse peso. Quando não divulga, tratamos como pesos iguais e sinalizamos.

Benchmark no mesmo intervalo

Todo call é comparado contra o referencial adequado, medido exatamente no mesmo período: Ibovespa para carteiras de ações, IFIX para FIIs, CDI para renda fixa. Isso separa o que é mérito de seleção do que é apenas maré de mercado. Uma casa que subiu 10% num mês em que o Ibovespa subiu 12% entregou desempenho relativo negativo, ainda que o número absoluto pareça bom.

Tempo de convicção

Além do retorno, registramos quantos dias cada ativo permaneceu na carteira. Esse "tempo de convicção" é uma informação editorial por si só: uma casa que troca de posição a cada poucas semanas está, na prática, revelando baixa convicção nas próprias escolhas. O giro da carteira, cruzado com a taxa de acerto, é um dos sinais mais reveladores do mapa.

A granularidade do tempo de convicção acompanha a frequência das nossas leituras. Com atualização mensal, sabemos que um ativo saiu "entre uma rodada e outra", não o dia exato — a menos que a própria casa date a mudança. Leituras mais frequentes refinam essa medida.

Sinalizador de relação declarada

Algumas linhas trazem um sinalizador de relação entre a casa e o emissor do ativo — por exemplo, atuação como banco de investimento ou participação em oferta recente. Esse sinalizador segue uma regra rígida: espelha apenas fatos que a própria instituição divulga publicamente, na seção de disclosure que a regulação já exige de cada relatório de análise; vem sempre acompanhado de link para o documento original; e nunca afirma que a relação influenciou a recomendação.

A diferença é deliberada. "A casa coordenou a oferta da empresa" é um fato verificável. "A casa recomendou porque coordenou a oferta" seria uma acusação sem prova — e o CallMap não faz isso. Registramos o fato; a interpretação é do leitor.

Limites que assumimos

O ranking nasce modesto. Ele se constrói sobre o histórico de snapshots. Sem reconstrução retroativa, as primeiras leituras têm pouca amostra e ganham robustez a cada rodada mensal. Número pequeno de calls significa conclusão fraca, e dizemos quando é o caso.
Performance é de fechamento. As cotações usadas são de fechamento, buscadas no momento de cada atualização — não dados em tempo real. Para um observatório editorial, é precisão suficiente; para decisão de trade intradiário, não é a ferramenta.
Cobrimos o que é público. Carteiras atrás de login pago ou relatórios restritos não entram. O CallMap se limita ao que as casas divulgam abertamente — o que é, também, parte do ponto: comparar o que foi dito em público.

Atualização

O CallMap é atualizado mensalmente e sob demanda. A cada rodada, comparamos a composição vigente de cada casa contra o snapshot anterior, registramos entradas, saídas e mudanças de peso, recalculamos os retornos e atualizamos o ranking. O log ao pé da página principal documenta cada rodada.